O AUTÊNTICO EDUCADOR É LÍDER: Ele provoca perguntas e não é fonte de respostas ao aluno.


Sempre é interessante e oportuno frisar que todo educador e formador de pessoas, antes de tudo necessita ter a consciência da importância de sua tarefa na formação de cidadãos cônscios de seus deveres e compromissos para com sociedade em que estão inseridos, mas e principalmente, fornecendo aos educandos os mecanismos mais adequados que possibilitem desenvolver caráter e a personalidade relativamente bem estruturados. Os fundamentos sempre devem estar alicerçados em valores, ou seja, nas virtudes cardeais e teologais, pois as mesmas atingem a totalidade do ser humano. São elementos que se oportuniza ao educando a ter uma visão de mundo a partir da totalidade existencial.


Pergunta-se então: Por quê? “...as respostas prontas produzem servos; o questionamento, pensadores”. (CURY, Augusto – A sabedoria nossa de cada dia/aprendendo a superar os conflitos humanos – Ed/Sextavante 2007 p.13). Daí infere-se que todo o autêntico formador de consciência necessita possuir uma correta visão antropológica como totalidade. Prescindindo dessa conceituação torna-se difícil compreender e discernir o que seja educar e não adestrar. Há uma diferença abismal entre os dois conceitos, realidade esta que infelizmente no imaginário de muitos se trata de termos sinônimos, pois isso conduz a um processo de desconstrução e despersonalização da dignidade humana daquele que foi criado “à imagem e semelhança de Deus”. (Gn 1,27). Portanto: “...a tarefa do pensador [e do educador] é provocar a consciência crítica, estimular a arte da observação e da análise”.


Constata-se em nossos dias ao se observar criticamente nossos educandários e universidades, ressalvando sempre as exceções, que a grande preocupação dos mesmos está relacionada muita mais em responder as demandas do mercado, sejam locais e/ou mundial do que a preocupação em preparar cidadãos, afinal tal realidade restringe significativamente o conceito de educação, pois detrás deste imaginário é retratado um reducionismo crasso e lamentável, porque em vez de formar cidadãos que têm habilidades nas várias áreas do conhecimento com competência, se percebe um foco unidimensional e pobre voltado simplesmente à eficiência no fazer e produzir coisas, infelizmente sem o mínimo interesse em preparar o “homem” e a “mulher” na construção de uma nação sadia, próspera, inclusiva e fraterna. O resultado deste processo de escolarização conduz “ipso facto” crianças e jovens para um processo de alienação, pois os mesmos não são senão parte de uma engrenagem fria a serviço da demanda do mercado. O curioso é que muitos apreendem e desenvolvem grandes e significativas habilidades no trabalho que exercem, no entanto, e por outro, são incapazes de lidar com os seus conflitos existenciais.


Portanto, caro leitor, é importante frisar que: “...não se conquista a maturidade psíquica com informações lógicas e teses acadêmicas, mas com nutrientes que alicerçam a sabedoria. A maioria das universidades formam pessoas famintas, desnutridas, despreparadas para lidar com desafios, crises e riscos”. (CURY, 2007 p. 27).



E autor ainda afirma:

“...o desenvolvimento tecnológico e financeiro não trouxeram o desenvolvimento psíquico esperado. Alguns índices melhoraram, como o respeito pelos direitos humanos, mas outros pioraram, como os transtornos emocionais, os níveis de solidão e a crise do diálogo”.



Ora, infere-se desse contexto consequências trágicas que se repetem diariamente em nossas comunidades, ou seja, crianças, jovens e muitos adultos sentem-se emocionalmente em estado de frustração, pois foram formados e treinados para produzir e trabalhar sem que tenha no processo de escolaridade uma preparação para o todo da vida, assim, são reduzidos a um “objeto” a serviço de interesses escusos, e, dentro da lógica do mercado, ora, nesse formato de educação, em geral se sentem perdidos e deslocados senão frustrados, pois ainda perdem a identidade por ter sido anulado o “Eu”. Ora, deve-se frisar de que o ser humano não foi criado para ser uma “coisa” que se usa e depois se descarta como algo que não tem mais utilidade, mas sim, cabe destacar que o mesmo foi criado à imagem de Deus para se realizar e ser feliz.


É nesse processo de reificação do humano que a economia em curso tem sua fundamentação, ou seja, inspirada pela ideologia neoliberal e esta inserida dentro da lógica do “eficientismo econômico” cuja linha de pensamento é alimentada pela filosofia do pragmatismo e do utilitarismo. Ora, o ser humano deixa de ser “alguém” para se tornar algo. É hora de superar tal paradigma para uma nova economia com traços mais humanos e inclusivos e, que acima de tudo tenha outros valores que agregam e abrem oportunidade de realização a todos os cidadãos. Ora, o resultado prático desta ideologia é o individualismo e a competição desleal muito presente em nossa sociedade, mormente a ocidental que tem em vista sempre e apenas resultados, mas que pouco ou nada acrescentam para a grandeza de uma nação cujo objetivo final sempre deve ser a promoção da dignidade humana e a justiça social.



Infelizmente as políticas públicas dentro deste paradigma fundamentado na ideologia do neoliberalismo sempre estão em segundo plano. Por quê? Não se fornece tempo e ocasião para o sujeito refletir a própria situação em que vive, e assim, as pessoas se perdem no ativismo sem muitas vezes saber o porquê daquilo que estão fazendo, e isso, atinge o equilíbrio psicoafetivo como surgem muitas doenças de natureza psicossomáticas devido ao stress e outras disfunções. Com isso se destrói a qualidade de vida e se tem a sensação de não realização com o exercício de seu trabalho, pois na prática não passam de meros executores de tarefas.



Portanto ser educador, professor e/ou orientador de pessoas, hoje, mais do que nunca, e, especialmente quando se trata das novas gerações, é preciso ter presente que se trata de uma vocação, um chamado e não uma mera profissão, afinal no educador é que está o futuro de qualquer nação que queira prosperar com dignidade. Observa-se que no decorrer dos tempos parece ter se perdido as qualidades inerentes ao formador autêntico, afinal o mesmo necessita saber conduzir os seus a pensar, avaliar e contribuir para ajudá-lo a edificar o perfil de cada pessoa que esteja sob sua responsabilidade. Por isso, todo autêntico educador, antes de ser alguém que joga conteúdo, leis e normas sempre é um autêntico líder, amigo, parceiro e que possui a capacidade de “escuta”, mas que também nos momentos próprios corrige com carinho e respeito.




Portanto:

“...o melhor mestre não é o que bombardeia a memória dos seus alunos com informações, mas o que instiga a arte de pensar. Não é a eloquência, mas o que inspira a criatividade. Não é o que aplaude os notáveis, mas o que resgata a autoestima dos excluídos”. (CURY, 2007 p.44).



Em contrapartida ao frisar o perfil do autêntico formador de cidadãos conscientes, em muitas ocasiões se esbarra na ideologia dos que não desejam que haja mudanças no modelo educacional em voga, infelizmente, pois o interesse é continuar apostando na ideologia do ter, do poder e do prazer, através da exploração do homem ao seu semelhante, e pior: sem nenhum escrúpulo de consciência. No entanto, é preciso nesse momento histórico dar um passo importante na mudança desse paradigma que se arrasta há tempo. A superação desse imaginário depende de um processo de educação inclusiva e, portanto integral, onde a visão de totalidade faça parte do processo da educação das novas gerações. A educação vista hoje é pensada para reproduzir um sistema de dependências e não de pessoas que pensam e contribuem para um mundo novo, inclusivo e sustentável.



Uma nação que se preza tem em primeiro lugar em seu imaginário da parte dos que formam as novas gerações uma visão “do todo”, pois tal paradigma proporciona a todo e qualquer cidadão, especialmente as novas gerações um desenvolvimento integral fundamentado em valores, afinal, esses, devem ser de natureza familiar, social e religioso. Sem ter em conta esse conjunto torna-se difícil construir uma nação de pessoas cujo perfil seja saudável e que saibam dialogar com desenvoltura e competência tudo o que seja diferente. A pluralidade em que se vive hoje requer-se pessoas capazes de dialogar. Ora, isso exige de cada pessoa equilíbrio, sensatez, versatilidade, capacidade de “escuta”, mas, e principalmente, uma visão de conjunto da vida, e, por outro uma abertura para com a dimensão da transcendência que faz parte da essência humana.



Um dos elementos importantes na formação do caráter e da personalidade é saber dialogar, afinal “...a arte do dialogo implica ser um mestre em aprender”. No entanto, no atual contexto societário vive-se uma situação paradoxal, principalmente quando se aborda a questão dos educandários e universidades, ressalvando sempre as exceções.



Por quê?

“...o sistema educacional [hoje] nos habilita a fazer cálculos matemáticos com precisão e a discutir partículas atômicas com segurança, mas não nos ensina a discorrer sobre personalidade e ouvir com interesse e abertura o que os outros têm a dizer. Formamos pessoas incapazes de lidar com as crises externas, por que não sabem lidar com suas crises internas”. (ibidem p.47).






E o autor segue dizendo:

“...sem diálogo, as relações serão sempre superficiais [...] incontáveis pais dão celulares para seus filhos, querem saber onde eles estão, mas não dialogam para saber quem eles são”. A realidade da sociedade hodierna é profundamente paradoxal assim como retrata um conjunto de paradigmas intrigantes sobre o valor da própria existência.


Como esperar um mundo diferente, inclusivo, sustentável quando seus cidadãos não constroem seu perfil com base em valores? Talvez nunca como nos últimos tempos a sociedade vem marcada pelo vazio e um niilismo que tem encurralado seus membros, especialmente as novas gerações, para um ambiente de medo, de insegurança e desconfiança ante o futuro.



COMO AGIR NA ATUAL CONJUNTURA PARA SUPERAR OS CONFLITOS HUMANOS DE NOSSO TEMPO?


Como ponto de partida trata-se de superar o conceito de ser humano herdado da filosofia racionalista, ou seja, do pensamento iluminista ainda muito presente em nossos conceitos da cultura contemporânea, para um novo paradigma que tenha por princípio básico um conceito holístico, ou seja, em que tem em conta no processo da formação das pessoas a dimensão tríplice, ou seja, a razão, a corporeidade e da espiritualidade. O conjunto é o principio da harmonização do humano com a natureza, a sociedade e a transcendência. Ora, é partindo desse pressuposto que se lega às novas gerações a capacidade de sentirem-se mais seguras como possibilita a relativa felicidade que é uma contínua construção no caminhar da história de cada um. O que significa objetivamente alguém sentir-se seguro e determinado?



“...ser uma pessoa segura é ter um eu capaz de escolhas livres, é ter autocrítica para não ser controlado pelas ideias pessimistas e pelas intempéries sociais, para não perder a simplicidade, o relaxamento, a espontaneidade [...] é desenvolver a capacidade de pensar, de expandir a autocrítica e estruturar a defesa psíquica. Uma pessoa segura minimiza as derrotas e valoriza as conquistas. Uma pessoa insegura maximiza as derrotas”. (CURY, 2007 p.) Então é pertinente perguntar: Inseridos neste contexto da sociedade contemporânea envolvida em situações paradoxais e contraditórias, há possibilidade de avançar na construção de uma nova sociedade? Sim, se a mudança acontece num processo educacional que tenha em sua base nos valores da justiça, da honestidade e da solidariedade, do contrário, será impossível atingir a meta.



É bom pensar!

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