MÍDIA E COMUNICAÇÃO SEM UMA VISÃO MADURA E CRÍTICA, ALIENA E DESPERSONALIZA


Os tempos atuais têm se destacado por ser uma época de grande desenvolvimento da comunicação em todo o Planeta. Sem dúvida é uma bênção para a humanidade, principalmente pela rapidez e facilidade que em tempo real seja possível comunicar-se de um ponto ao outro do Planeta Terra. Esse desenvolvimento da tecnologia da comunicação tem favorecido as relações entre as pessoas e povos como tem gerado aproximação. Por outro, nesse mesmo processo a comunicação virtual também tem esfriado a comunicação real dentro das próprias famílias, nas organizações, pois, paradoxalmente sofreu um estranhamento do “outro”. Pergunta-se por quê? Comunicação virtual pode tornar-se paradoxal quando não conduzida de forma pensada, refletida e não unidimensional.


A quantidade de informações que hoje se recebe tem poluído o ambiente de quietude e de silêncio que são necessários para uma vida de equilíbrio emocional e psíquica. Um exemplo muito explícito trata-se das ofertas oriundas da propaganda que nem sempre preenchem nossas aspirações por exatamente ser provocada pela poluição que emitem no ar. É o que chamamos de “o mundo do barulho” que tem desenvolvido no tecido social um stress pessoal e coletivo, como tem afetado a vida psíquica, social, familiar e também religiosa da sociedade como um todo. Pergunta-se: O que subjaz nesse processo da atual situação?




“...os mecanismos de comunicação promovem transformação e direcionamento na condução da ideia de quem deseja ou tem interesse em divulgá-la. Um simples comentário direcionado através de mensagens subliminares implanta, sem a pessoa perceber, novas formas de conduta. Até que ponto não somos induzidos aos apelos da publicidade? (HOFF, Luiz Felipe – Ponto de Ruptura – Desafios da Sociedade Sustentável – Ed/Alegoria 2008 p.101).



A cultura da pós-modernidade tem induzido o tecido social como um todo a sair de si em busca de estímulos externos, principalmente como consequência dos meios de comunicação como a telefonia, internet, TV, rádio, imprensa falada e/ou escrita. Se por um lado vive-se a beleza de uma comunicação extraordinária e fascinante, por outro, corre-se o risco de nos tornarmos escravos e vilões das exterioridades que a mesma produz e incentiva a nos distanciar do “eu interior”, o que na prática é uma tragédia em termos de futuro.



Perceba caro leitor!

“...a comunicação da mídia, se assimilada sem questionamentos, pode vir a promover um distanciamento de nós mesmos, ao criar uma necessidade de identificação com os personagens e os mitos de nossos desejos internos, despersonalizando-nos, quando respondemos a uma identificação que não é verdadeira”. (HOFF, 2008 p.102).



Lamentavelmente essa realidade vem acontecendo com certa regularidade, embora sempre as ideologias procurassem fazer adeptos cegos, tanto em nível local quanto mundial. Afinal estão em jogo os interesses ideológicos de matizes diferentes que tentam de forma contínua, fazendo uso da mídia, manipular as consciências para as suas metas e objetivos, e pior: sem escrúpulo de consciência. As informações que diariamente bombardeiam a sociedade tem conduzido a mesma a um stresse profundo na psiqué de parte significativa do tecido social.



Caro leitor é bom sempre frisar que:

“...admirar a expressão da arte é diferente de estabelecer uma relação em que o artista passa a ser um deus, ou um modelo a ser seguido sem questionamentos. O culto exagerado ao ídolo ou as celebridades desconfigura a base de pensarmos por nós próprios. Os meios de comunicação são excelentes aliados da vida quando aprendemos como consumi-los”. (ibidem pp.102-103).



É profundamente significativo desenvolver a capacidade de discernir aquilo que nos é proposto como informação, pois ser informado não significa ainda conhecer. O conhecimento sempre exige método, reflexão e análise. Quando simplesmente se aceita a informação fornecida por alguma rede social somente porque foi o “ídolo e/ou o guru” que disse, corre-se o risco de que tal informação nem sempre seja a verdade. E isso se constitui uma imaturidade da própria identidade. Sempre que se toma atitude cega sem análise do fato comunicado isso dificulta nossa identidade como desconfigura à personalidade e fazendo-a que se atue com atores da vida que representam um papel distante de nossa verdadeira essência.



Essa é a grande questão que está em jogo em nossa sociedade atual, seja local ou mundial, e, não somente em nível civil, político, e/ou religioso, mas, infelizmente em todas as dimensões da vida. A aderência a certo consumismo ideológico resulta em que a sociedade hodierna esteja envolta em muitos conflitos desnecessários e que a dividem em sua essência, ou seja, sem atingir um progresso e desenvolvimento sustentável, saudável e inclusivo. Sempre é importante ter consciência que não se deve alimentar nosso “eu” de conceitos e ideias como um fim em si mesmo.



Por quê?

No hoje da comunicação somos continuamente bombardeados com um absurdo de teorias e conhecimentos que nem se tem o devido tempo para processá-las e o conhecimento que se adquire desse procedimento, normalmente é um conhecimento medíocre e frágil sem um fundamento sólido, e pior: raso e pobre.








É PRECISO DESACELERAR PARA VENCER O STRESSE E CONSTRUIR UM EU SAUDÁVEL E FELIZ





Vive-se num contexto de ativismo e correria sem muitas vezes saber do que se trata e o que se busca. Ora, diante desse quadro é fácil deduzir o esgotamento do ser humano em sua essência, e isso tem seu preço, ou seja, o stresse.



O que vem a ser?

“...é um estado do organismo, determinado por situações de tensão, que gera uma série de comportamentos para a saúde do indivíduo afetado. Associado com a insônia, a ansiedade, a irritabilidade, a hipertensão arterial, aumento do colesterol, gastrite, obesidade, alergias, entre outras doenças”. (HOFF, 2008 p.108).



E autor continua:

“...quando defendemos a caminhada para um equilíbrio na formação do UNO, em que o amadurecimento do novo cidadão permite o seu desenvolvimento interno na sua mais profunda expressão, tendo internalizado os valores necessários do SER, também defendemos o direito do TER no usufruto das riquezas e da abundância em toda a sua plenitude. A riqueza material promove a ciência, a tecnologia, o bem-estar social, a saúde, a educação. O dinheiro é uma energia disponível para todos, e quando nos permitimos ter acesso ao mesmo nível a todos, e quando nos permitimos ter acesso ao mesmo de forma desapegada, compreendendo que tudo o que temos é emprestado, então caminhamos para TER sem a sensação de posse. E, esse é o desafio do novo indivíduo”.



É preciso aprender a desacelerar o ritmo de nossos afazeres para viver com mais qualidade de vida e bem-estar. O engodo da Conjuntura Política socioeconômica atual é jogar no campo da competição, do ter e do poder. Não há como sustentar e construir um mundo novo sem a construção do próprio “Eu”. Esse é o paradoxo em que se encontra a atual civilização, e, por este mesmo motivo é doente, triste e sofre de doenças como a depressão e o cansaço. O psicanalista Carl Gustavo Jung é muito feliz quando nos remete a que reconheçamos as nossas próprias sombras, pois integrar a sombra é um passo importante para amar como para se perceber a manifestação divina.



Ao fazermos as pazes com as nossas sombras, nos tornamos mais livres e felizes. Em que consistem as sombras? “...algumas roupas sujas, que não gostamos de mostrá-las e nem de reconhecer sua existência, negá-las [...] nunca seremos inteiros [se não aceitarmos nossas sombras]. Expor nossas fraquezas, medos, angústias é um dos caminhos para o crescimento”. A verdade é que a sombra do qual Jung fala trata-se daquilo que ao fazer um exame de consciência nos incomoda quando nos deparamos com os outros, pois se trata daquilo que somos e não temos a coragem de aceitar.



É PRECISO UM EU MADURO DIANTE DE UMA MÍDIA QUE MANIPULA E PUBLICA INFORMAÇÕES DESENCONTRADAS



Se por um lado a sociedade pós-moderna tem entrado na Era Digital nos meios de comunicação, certamente isso é fascinante e digno de enaltecimento para a humanidade. Entretanto, e por outro, exige de cada cidadão planetário uma maturidade do próprio “Eu”, ou seja, que tenha a capacidade de discernimento do que é veiculado em todos os meios de comunicação moderna. Afinal é uma questão de sensatez e maturidade filtrar tudo o que é veiculado na mídia e buscar a idoneidade da fonte. Talvez o leitor pergunte o porquê desse pressuposto?



“...um Eu saudável e inteligente pauta sua agenda social pela flexibilidade, pela capacidade de expor seus pensamentos e nunca impô-los. Tem consciência de que todo radicalismo é fruto de imaturidade e insegurança. Sabe, por exemplo, que quem defende radicalmente suas ideias ou sua religião depõe contra aquilo que crê, não está convencido do que crê, pois se estivesse não precisaria de pressão. [...] precisa de coação para dar relevância a suas convicções”. (CURY, Augusto – A Fascinante construção do Eu – Como desenvolver uma mente saudável em uma sociedade estressante – Ed/Academia 2011 p.38).



E o autor continua:

“...um Eu maduro e autoconsciente não tem necessidade de controlar o outro. Expõe suas convicções religiosas, políticas, científicas e até esportivas sem medo, mas com brandura e generosidade, dando ao outro o direito de aceita-las ou rejeitá-las. Sabe que não tem poder de mudar ninguém. O Eu do outro só mudará se ele o permitir, se construir novas janelas”.



É muito importante ter consciência de que um “Eu” mal formado não tem autoconsciência. Essa realidade tem-se observado na atual sociedade não apenas local, mas, e, sobretudo também mundial. Se se deseja viver em um mundo plural, embora tolerante, sensato e equilibrado, é preciso que em todo o processo de educação das novas gerações, mas também daqueles que já ultrapassaram a fase da juventude, e que ainda não cresceram o suficiente no imaginário de conviver com o diferente, sem dúvida, é preciso uma reeducação da própria psique e do caráter, pois os sintomas não apenas de nosso país, mas também de outros tem se revelado situações anômalas e de imaturidade em todas as faixas etárias, embora, ressalvando sempre as exceções, percebe-se uma sociedade despreparada para o emergir de um mundo novo baseado na convivência de inclusão e fraternidade.



Por isso torna-se importante frisar que:

“...um Eu imaturo enxerga a pequenez dos outros, mas um Eu inteligente enxerga primeiramente a sua própria pequenez. Um Eu imaturo dá as costas para quem o decepciona, um Eu inteligente procura compreendê-lo. Um Eu imaturo se enraivece diante das críticas, um Eu inteligente as agradece e, se possível, as utiliza para crescer. Um Eu imaturo não abre mão das suas convicções, um Eu inteligente é um caçador de novas ideias”. (CURY, Augusto – A fascinante construção do Eu Como desenvolver uma mente saudável em uma sociedade estressante- Ed/Academia – 2011 p.43).



Caro leitor! A partir dessa singela reflexão sobre a comunicação em nossos dias urge o despertar de uma consciência crítica de todo o cidadão planetário diante das muitas informações que diariamente são veiculadas em nossas vidas. Infelizmente nem sempre há lisura nas informações que se expõe para o tecido social, e, muitas vezes, na correria e ativismo diário não se percebe em que situação se está sendo informado. A cultura hodierna, mais do que nunca necessita de lideranças que agregam, que saibam ter a capacidade de escutar e compreender, embora isso não signifique “tudo vale”. É preciso também critérios e limites, com certeza, mas, e, acima de tudo a caridade de uns para com os outros se faz necessário a fim de se estimular e promover um mundo de paz, alegria, justiça social e o bem-estar de todos.



É bom pensar!

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