A ARTE DE EDUCAR: PROMOVE E MOLDA O DESENVOLVIMENTO DE TODO O SER HUMANO


Talvez ouse afirmar: Nenhuma vocação, e, principalmente, a arte de educar as novas gerações deveria ser legada a alguém que não tenha o perfil adequado para exercer uma missão que diga respeito a modelar o ser humano. O primeiro requisito para alguém se candidatar para orientar e transmitir conhecimento às novas gerações é a necessidade de ser um cidadão (ã) cujo perfil se paute pelos valores da justiça, da honestidade, da solidariedade e dos valores fundamentados com base nas virtudes cardeais e teologais.



Estes valores é que possibilitam às novas gerações um fio condutor digno para formar autênticos cidadãos e profissionais competentes, mas, e, sobretudo, que sejam homens e mulheres que têm um psiquismo sadio, mas ainda, comprometidos com a “Verdade”. Portanto, fica claro que não é suficiente prepará-los apenas com disciplina e normas, pois estes são meios e não fins em si mesmos, mas induzi-los a pensar através do cultivo das ciências humanas como a filosofia, sociologia bem como o fomento de uma espiritualidade madura a fim de proporcionar uma visão do todo. Deste modo se abrem possibilidades de construir suas cidadanias e uma nação constituídas de pessoas sensatas, maduras, realizadas e felizes.



Portanto:


“...selecionar pessoas para a educação não significa ter “notório saber”, mas, e acima de tudo, requer-se das mesmas um psiquismo sadio, equilibrado, sensato e de significativa capacidade para o diálogo. Portanto, é a partir desses pressupostos que seja possível sonhar com mestres de alto nível não apenas em nível intelectual, mas, e sobretudo, homens e mulheres de caráter e personalidade marcadas pela idoneidade, retidão de consciência e a eticidade no agir que farão a diferença na formação das novas gerações em vista de um novo mundo e uma nova nação, pautada por valores que a edificam.



Infelizmente: “...hoje a educação é entendida amiúde como repasse de conhecimento. E, muitas vezes, ela é instrumentalizada: As crianças devem aprender outras línguas já no jardim da infância, afim de que, mais tarde, tenham melhores chances na economia”. (GRÜN, Anselm – ZEITZ, Jochen – Deus, Dinheiro e Consciência – Diálogo entre um monge e um executivo – Vozes – 2012 p.172).



E o autor segue dizendo:


“...a expansão do conhecimento deve [sempre] vir acompanhada da educação do caráter e de uma educação ética e cultural abrangente [...] a questão da concepção de educação nos confronta também com a questão que hoje é importante para as nossas culturas empresariais”.



Por outro lado, emerge o papel fundamental da família no contexto da formação das novas gerações em que a Encíclica “Amoris Laetitia” publicada pelo Papa Francisco vem nos instruindo, principalmente quando aborda a questão da preparação dos filhos para a vida. “...os pais incidem, para o bem ou para o mal, no desempenho moral dos seus filhos”. (Amoris Laetitia, 259). Quando a base é bem fundamentada no acompanhamento do crescimento dos filhos, sem dúvida, nesse momento acontece de modo consciente o desenvolvimento do caráter e da personalidade da prole.



Jamais os pais podem lavar as mãos neste processo de educação, pois a base está na família aonde são semeados os primeiros valores e virtudes às crianças e jovens, afinal é o caminho pelo qual vão assimilando como desenvolvendo os fios condutores para posteriormente terem uma vida sadia e madura no contexto social de amanhã.



Portanto:


“...a família não pode renunciar a ser lugar de apoio, acompanhamento e guia embora tenha de reinventar os seus métodos e encontrar novos recursos, precisa considerar a que realidade quer expor seus filhos. Para isso, não deve deixar de se interrogar sobre quem ocupa de lhes oferecer diversão e entretenimento, que conteúdo entra em suas casas através da televisão, do computador e dos celulares, a quem os entrega para que os guie nos seus tempos livres”. (Amoris Laetitia, 159).



A arte de educar os filhos no hoje da história sempre vai exigir da parte dos pais seriedade, principalmente marcando presença constante ao longo do crescimento. Por quê? “...se um progenitor está obcecado com saber onde está o seu filho e controlar todos os seus movimentos, não educará, não o reforçará e não o preparará para enfrentar os desafios. O que interessa acima de tudo é gerar no filho, com muito amor, processos de amadurecimento da sua liberdade, de preparação, de crescimento integral e de cultivo da autêntica autonomia”. (AL, 261).



Fica bem explícito que a grande questão hoje nas famílias não é saber onde o filho está fisicamente, com quem está, mas que o mesmo tenha presente que aonde se encontra lá tem sentido de vida e principalmente do ponto de vista das suas convicções, objetivos e dos seus desejos e, assim, estando em sintonia com o projeto de vida delineado pela educação que tem recebido em seu ninho familiar.



Perceba caro leitor que:


“...a educação envolve a tarefa de promover liberdades responsáveis, que, nas encruzilhadas saibam optar com sensatez e inteligência; pessoas que compreendam sem reservas que a sua vida e a vida da comunidade estão nas suas mãos e que esta liberdade é um dom imenso”. (ibidem, 262).



Ninguém nasce e se desenvolve a partir de um código genético, aliás, nesse sentido a educação não teria nada a fazer. Entretanto, a questão não é assim. É preciso aprender a ser prudente, ter retidão de juízo e sensatez que no processo educativo vai sendo absorvido e criando hábitos de conduta, pois é assim que se formam cidadãos livres e responsáveis.


Outro aspecto a ser focado no contexto da família é uma formação de natureza ética que, principalmente na escola através das relações interpessoais tem possibilidade de desenvolver uma sadia convivência, aliás, que faz parte intrínseca na preparação dos filhos para a vida, embora, jamais os pais devam simplesmente delegar de maneira total aos cuidados da escola.



Por quê?


“...a formação moral dos filhos nunca a podem delegar totalmente. [...] o desenvolvimento afetivo e ético de uma pessoa requer uma experiência fundamental: crer que os próprios pais são dignos de confiança. Isso constitui uma responsabilidade educativa: com o carinho e o testemunho, gerar confiança nos filhos, inspirar-lhes um respeito amoroso. (Amoris Laetitia, 263).





E segue o texto:


“...uma formação ética válida implica mostrar à pessoa como é conveniente, para ela mesma, agir bem. Muitas vezes, hoje, é ineficaz pedir algo que exija esforço e renúncias, sem mostrar claramente o bem que se poderia alcançar com isso [...] é necessário [portanto] maturar hábitos. Os próprios hábitos adquiridos em criança têm uma função positiva, ajudando [assim] a traduzir em comportamentos externos sadios e estáveis os grande valores interiorizados”.



Os tempos atuais vêm marcados pela mídia e por diversas influências de natureza ideológica que conduz a um afrouxamento dos valores como a disciplina, a educação da vontade, o respeito ao outro e ao diferente, uma liberdade sem limites e outros elementos como se todo esse procedimento de relaxar ajudasse na construção de um mundo novo. Ora, a desconsideração para com as virtudes e valores como também negar o cultivo de uma fé madura, como se fosse algo anacrônico, só tem contribuído a desmantelar o tecido social, principalmente dentro das famílias, e isso, é algo que paulatinamente deve ser recuperado ao preparar as novas gerações quando se trata de educação.





Por outro lado, se de fato deseja-se um mundo mais humano, justo, sustentável e solidário é preciso repensar como refazer certos caminhos que no decorrer do tempo foram colocados em segundo plano na formação das novas gerações, sempre em nome da modernidade. É uma visão falsa de evolução da vida e da história.


“...uma pessoa pode possuir sentimentos sociáveis e uma boa disposição para com os outros, mas se não foi habituada durante muito tempo, por insistência dos adultos, a dizer “por favor”, “com licença”, “obrigado”, a tal boa disposição interior não se traduzirá facilmente nestas expressões” (Amoris Laetitia, 266).



E segue:


“...o fortalecimento da vontade e a repetição de determinadas ações constroem a conduta moral; mas sem a repetição consciente, livre e elogiada de determinados comportamentos bons, nunca se chega a educar tal conduta”.





O grande desafio para o contexto da sociedade hodierna, é que está mais que na hora de repensar a educação em outros moldes com requinte de uma autêntica civilização elegendo para a totalidade do humano e não visando apenas a demanda do mercado.



Por quê?


“...a vida virtuosa constrói a liberdade, fortifica-a e educa-a, evitando que a pessoa se torne escrava de inclinações compulsivas desumanizadoras e antissociais. Com efeito, a própria dignidade humana exige que cada um “proceda segundo a própria consciência e por livre adesão, ou seja, movido e induzido pessoalmente desde dentro”. (op cit GS, 17 in Amoris Laetitia, 267).



Caro leitor! Sempre é bom refletir, e examinar bem a forma como se está conduzindo o sonho que todos têm em viver num mundo inclusivo, solidário e feliz. Portanto: Sinta-se desafiado em analisar a própria vida e suas escolhas!



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